Para os fãs desesperados pela segunda temporada, a estréia
da série The Walking Dead na terça-feira (18) não deve ter decepcionado. Mais
uma vez apostando no roteiro e no drama de cada personagem, a série de zumbis
caminha cada vez mais para se tornar um clássico da TV, deixando de lado o
caráter “wanna be arrasa quarteirão” que outras películas tentam espremer do
gênero, como é o caso do filme Resident Evil e afins.
O primeiro episódio da 2ª temporada, “What Lies Ahead”, foi
ao ar nos EUA no domingo (16) e bateu recordes de audiência, com o total de 7,3
milhões de expectadores, quantia que representa um aumento de 38% em relação à
primeira temporada. No Brasil, a nova parte da saga de sobreviventes a um vírus
mortal aconteceu na terça-feira (18), pelo canal FOX.
E quem ainda não viu perdeu uma excelente produção. Com uma
hora e meia de duração, o episódio foi assustador, dramático, desolador e, como
muitos podem duvidar, recheado de esperança e desejo pela sobrevivência. O protagonista, o xerife, Rick Grimes (Andrew Lincoln), inicia o episódio com um monólogo. Como se estivesse reportando a situação a Morgan e Duanne (personagens da primeira temporada que não quiseram se juntar ao grupo). Com um walkie talkie, Rick narra os horrores vividos pelo grupo de sobreviventes, as perdas ao longo do caminho percorrido e, como o nome do episódio sugere, a falta de perspectiva para uma realidade melhor que a do presente.
Em busca de refúgio, o grupo decide abandonar Atlanta e ir
até Fort Benning e é a partir deste momento que a realidade da falta de água,
de mantimentos e os perigos com os zumbis começa a aumentar. A liderança de
Rick passa a ser contestada pelos outros. Shane (John Bernthal) cogita a idéia
de seguir viagem sozinho, por não ser correspondido por Lori (Sarah Wayne
Callies), esposa do xerife e Andrea (Laurie Holden) lida com a sua tentativa de
suicídio de forma peculiar. Mas a esperança (já escassa) é perdida quando a
pequena Sophia (Madison Lintz) desaparece.
O que se pode analisar de The Walking Dead, sem precisar dar
um alerta de spoilers, é que a
matança desesperada de zumbis e cenas clichê foram deixadas de lado, concentrando
a história nos conflitos pessoais do grupo de sobreviventes que precisa lidar com
uma realidade extrema. Esse aprofundamento nas relações humanas lembra muito as
obras de George Romero, fundador do
gênero de zumbis no cinema, e responsável pelo aclamado filme “A Noite dos
mortos vivos” (1968).
Assim como as películas de Romero, a série segue a receita
da sutileza e de utilizar o gênero zumbis como ponto de partida e não como
começo-meio-fim. Neste novo episódio, as cenas com os mortos vivos acontecem
quando os personagens param em uma rodovia que mais parece um cemitério e a
jovem Sophia se separa do grupo. Todos os mortos, ou walkers, como são chamados, estão muito mais realistas, e as cenas
estão cada vez mais angustiantes. Um exemplo disso é quando Rick e outro
personagem fazem uma “autópsia” em um zumbi, a fim de descobrir se ele “comeu”
alguém do grupo. Essa é uma das melhores cenas sem dúvida. Quem é fã pode assistir online ou baixar. De qualquer maneira, a série também deixa muitas lições, como por exemplo: em caso de apocalipse, não faça barulho, mate os zumbis com armas brancas. E quando o assunto é The Walking Dead tudo é válido, desde chaves de fenda, até pedradas na cabeça.





Sexta-feira, Outubro 21, 2011
Raissa D.

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